Aspectos socioambientais

Aspectos socioambientais

O Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos situa-se no maciço insular de Monte-Serrat – Santa Terezinha, na divisa entre os municípios de Santos e São Vicente (SP). Doado à USP em 1958, desde 2004 desenvolve vários programas educacionais que buscam viabilizar o conhecimento a partir da interdisciplinaridade, em vista do contexto histórico, geográfico, social e ambiental em que as Ruínas estão inseridas. Atualmente o bem cultural tem um intenso e crescente Programa de Uso Público, recebendo cerca de 10 mil visitantes/ano.
A mata que emoldura o Monumento Nacional, composta por floresta secundária e floresta secundária degradada, é um fragmento importante para a cidade, capaz de oferecer numerosos serviços ambientais: proteção da biodiversidade e manutenção da integridade ecológica dos sistemas aquáticos; sequestro e conservação de estoques de carbono para amenizar as mudanças climáticas; manutenção dos processos de polinização e controle de pragas naturais, que dependem criticamente da biodiversidade nativa. Justamente por isso, o local está inserido na primeira Reserva Internacional da Biosfera criada no Brasil (UNESCO, 1991) e declarada, também, em 1991, Patrimônio Natural Mundial.
Bioma com a maior diversidade de vida do planeta, originalmente ocupando 17 estados brasileiros e correspondendo a aproximadamente 1,3 milhão de km², a Mata Atlântica está reduzida atualmente, após 500 de ocupação, a 95 mil km² (pouco mais de 7% da extensão original).
Graças a tais características geomorfológicas e fitogeográficas ímpares, que dão maior amplitude à leitura e interpretação paisagística do Monumento Nacional, a USP, em convênio, tanto com as Prefeituras Municipais de Santos e São Vicente, quanto com a Universidade Católica de Santos, vem desenvolvendo ações educacionais múltiplas e sistemáticas. Os enfoques, diversos, apontam para aspectos históricos, culturais, produtivos, legais, urbanos e arqueológicos, além dos ecológicos e ambientais. Estes últimos, abordados de forma a transformar o local em laboratório para o estudo e o exercício de diálogos a respeito das relações seculares do homem com o seu ambiente.
As metas propostas nas gestões curatoriais das Ruínas durante os últimos anos — incluindo, entre várias outras, obras de consolidação do conjunto e de seu entorno, publicação de estudos, debates e pareceres sobre as alternativas para perenizar o Bem, contatos sistemáticos com órgãos preservacionistas, projetos educacionais, aproximações com a comunidade, articulações com as secretarias municipais visando a criação de um Parque Municipal nos arredores, intercâmbios com a comunidade científica dentro e fora da USP – estão em sintonia com as recomendações maiores das chamadas Cartas Patrimoniais, documentos dos quais o Brasil é signatário e que resultaram de conferências sob iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)
Cerne das ações do Monumento Nacional, os projetos educativos voltam-se para as premissas da difusão cultural e da extensão universitária, partindo-se do entendimento de que a melhor garantia de conservação de sítios históricos e patrimônios naturais vêm do respeito e do interesse dos próprios povos. Uma destinação útil à sociedade é o que viabiliza, em longo prazo, e definitivamente, a proteção e a conservação do patrimônio, atribuindo-lhe, inclusive, papel fundamental no desenvolvimento cultural da região.